
- Livro
- O apagamento
- Autor
- Eslen Delanogare
- Gênero
- Ficção especulativa e distopia social
- Ano
- 1989
- Páginas
- 336
O apagamento
Lido em 27 de outubro de 2026
O livro começa no Brasil de 2030, onde do nada rola um evento bizarro chamado de "o apagamento": as páginas de todos os livros físicos ficam totalmente em branco e os arquivos digitais e PDFs são deletados ou corrompidos. Imagina o caos com o sumiço de toda a literatura, ciência e história do planeta. Para tentar salvar o que restou da cultura humana, o governo brasileiro cria um projeto ultrassecreto para recrutar pessoas comuns com uma memória fora da curva, batizadas de "Mestres Leitores".
A missão dessa galera é literalmente sentar e reescrever livros inteiros que eles leram no passado, usando apenas a força do pensamento e da lembrança. É aí que entra o protagonista, Ezequiel Delfino, um neurocientista brilhante da UnB que veio da periferia. Ele é chamado para coordenar o projeto e dar um "up" no cérebro desses Mestres Leitores, tentando fazer com que eles lembrem de cada mínimo detalhe das obras clássicas antes que o esquecimento vença.
No meio desse rolê, Ezequiel conhece Stuart Davies, um cara rico, meio aristocrata e cheio de privilégios que está no Brasil tentando achar algum sentido real para a sua vida. A dinâmica da história ganha força com a união desses dois personagens de mundos tão diferentes, que precisam correr contra o relógio para impedir que a ignorância total tome conta da sociedade e que a história da humanidade seja resetada para sempre.
A coisa fica séria de verdade quando o Ezequiel cria a Engramina, uma substância revolucionária capaz de turbinar a retenção de memória e acelerar o processo de reescrita dos livros. Só que, em vez de comemorar a descoberta, o governo e as autoridades começam a ver essa evolução com muita desconfiança, encarando os Mestres Leitores e o próprio cientista como uma ameaça ao controle do Estado.
O que era para ser um plano de salvação cultural vira uma trama cheia de conspiração política e perseguição. Eslen Delanogare usa toda essa pegada de ficção científica para mandar um recado bem direto e atual sobre a falta de leitura no Brasil, mostrando como uma sociedade que não lê e que esquece o seu passado se torna frágil e fácil de ser manipulada por quem está no poder.
No fim das contas, o livro é uma grande homenagem ao poder dos livros e da mente humana. O autor constrói uma jornada muito rápida e cheia de suspense que faz a gente valorizar cada página lida, mostrando que a nossa memória e o nosso conhecimento são, no fundo, a nossa maior arma de resistência contra qualquer tipo de opressão.
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