Resenhas de livros · por Bia · edição de novembro de 2026

Sai da internet e vai ler um livro

Capa de Flores para Algernon
Livro
Flores para Algernon
Autor
Daniel Keyes
Gênero
Ficção Científica
Ano
1966
Páginas
258

Flores para Algernon

Lido em 27 de outubro de 2026

A história acompanha Charlie Gordon, um homem de 32 anos com uma grave deficiência intelectual e um QI de apenas 68. Apesar das suas limitações e de trabalhar como faxineiro em uma padaria onde todos zombam dele, Charlie tem uma bondade genuína e um desejo enorme de aprender a ler, escrever e "ficar inteligente" para ser aceito pelas pessoas. O seu esforço chama a atenção de dois cientistas que estão desenvolvendo uma cirurgia cerebral revolucionária capaz de triplicar o QI de um indivíduo.

Antes de testar o procedimento em humanos, os médicos realizaram a cirurgia no camundongo Algernon, que se tornou super inteligente e consegue resolver labirintos complexos num piscar de olhos. Charlie é escolhido para ser a primeira cobaia humana do experimento. O livro é inteiramente narrado por meio dos relatórios de progresso que Charlie é obrigado a escrever, e o leitor percebe a cirurgia funcionando através da evolução da escrita dele, que começa cheia de erros de ortografia e vai se tornando impecável.

Conforme o QI de Charlie salta para impressionantes 185, ele se transforma em um gênio absoluto, superando rapidamente a inteligência dos próprios cientistas que o operaram. Ele aprende dezenas de idiomas, domina a música, a matemática e as ciências clássicas. Só que esse ganho intelectual absurdo traz um preço terrível: Charlie começa a recuperar memórias reprimidas da sua infância dolorosa e percebe que as pessoas que ele considerava "amigos" na verdade o humilhavam e o usavam como chacota.

A inteligência genial isola Charlie do mundo. Ele descobre que os cientistas que ele via como deuses são, na verdade, homens limitados e arrogantes que o enxergam apenas como uma propriedade da pesquisa, e não como um ser humano com sentimentos. Para piorar, o seu amadurecimento emocional não acompanha a velocidade da sua mente, fazendo com que ele sinta extrema dificuldade em se relacionar e se apaixonar de forma saudável.

O grande nó na garganta da história acontece quando o comportamento do camundongo Algernon começa a mudar drasticamente (aqui acabou pra mim). O bichinho perde a inteligência, fica agressivo e esquece como resolver os labirintos, mostrando que os efeitos da cirurgia são temporários. Percebendo que o mesmo vai acontecer com ele, Charlie corre contra o tempo e usa a sua mente genial para estudar a própria falha do experimento, tentando descobrir quanto tempo de lucidez ainda lhe resta antes de começar a regredir.

No fim das contas, o livro é uma obra de arte devastadora sobre o que define a nossa humanidade. Daniel Keyes não entrega uma história de naves espaciais, mas uma ficção científica profundamente humana que faz o leitor chorar e repensar a forma como trata o próximo. É uma jornada inesquecível sobre a perda, a beleza das pequenas memórias e a importância de valorizar o coração de alguém acima de qualquer capacidade intelectual.

Como uma pessoa com deficiência, esse livro foi muito dificil de ser lido.

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