
- Livro
- Eu que nunca conheci os homens
- Autor
- Jacqueline Harpman
- Gênero
- Romance Distópico
- Ano
- 1995
- Páginas
- 192
- ISBN
- 978-6555530445
Eu que nunca conheci os homens
Lido em 27 de outubro de 2026
E se você acordasse em um bunker ao lado de outras 39 mulheres, vigiada por guardas estranhos, sem nenhuma lembrança de quem é ou de como foi parar ali? É desse ponto que parte Eu que nunca conheci os homens, de Jacqueline Harpman, um livro que me deixou completamente sem chão. Comecei ouvindo o audiobook, mas logo precisei passar para o livro, porque simplesmente não consegui esperar para saber o que vinha a seguir.
Trata-se de uma ficção distópica. Quarenta mulheres vivem presas em uma cela subterrânea, sem contato com nada além de si mesmas e dos guardas que as vigiam. Esses guardas nunca dirigem a palavra a elas; a única comunicação possível é entre as próprias prisioneiras, que também são proibidas de se tocar. Elas recebem comida e mais nada. Não sabem por que estão ali, nem o que aconteceu com o mundo do lado de fora.
Quem conta a história é a mais jovem do grupo. Ela chegou ao bunker tão nova que quase não guarda lembranças do passado, e é como se a vida dela começasse ali dentro. Tudo o que sabe, aprendeu com as outras mulheres.
O que torna o livro tão perturbador é a virada que acontece logo no início. Um dia, uma sirene toca, as portas se abrem e os guardas fogem. De repente, elas estão livres. Mas livres para quê? O que existe lá fora? Ainda há gente no mundo? Como as coisas estão? A narradora não sabe nem o que é a água, não tem noção de saúde, de doenças, de nada. A partir daí, ela acaba assumindo a organização do grupo na saída do bunker, e a narrativa se transforma em uma longa travessia.
Quem espera respostas sobre o motivo da prisão pode se frustrar. O livro não se preocupa em explicar; ele se dedica à vivência dessas mulheres e, principalmente, ao que a protagonista vai descobrindo pelo caminho. É uma leitura chocante e, em vários momentos, bastante triste.
Ainda assim, fiquei completamente vidrada. Eu precisava chegar ao fim, precisava saber como tudo terminaria. E já adianto: não gostei do final. Mesmo assim, recomendo muito a leitura. É daqueles livros que fazem você fechar a última página se perguntando como algo assim é possível, e que continuam ecoando na cabeça por muito tempo depois.
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