Resenhas de livros · por Bia · edição de novembro de 2026

Sai da internet e vai ler um livro

Capa de Eu que nunca conheci os homens
Livro
Eu que nunca conheci os homens
Autor
Jacqueline Harpman
Gênero
Romance Distópico
Ano
1995
Páginas
192
ISBN
978-6555530445

Eu que nunca conheci os homens

Lido em 27 de outubro de 2026

E se você acordasse em um bunker ao lado de outras 39 mulheres, vigiada por guardas estranhos, sem nenhuma lembrança de quem é ou de como foi parar ali? É desse ponto que parte Eu que nunca conheci os homens, de Jacqueline Harpman, um livro que me deixou completamente sem chão. Comecei ouvindo o audiobook, mas logo precisei passar para o livro, porque simplesmente não consegui esperar para saber o que vinha a seguir.

Trata-se de uma ficção distópica. Quarenta mulheres vivem presas em uma cela subterrânea, sem contato com nada além de si mesmas e dos guardas que as vigiam. Esses guardas nunca dirigem a palavra a elas; a única comunicação possível é entre as próprias prisioneiras, que também são proibidas de se tocar. Elas recebem comida e mais nada. Não sabem por que estão ali, nem o que aconteceu com o mundo do lado de fora.

Quem conta a história é a mais jovem do grupo. Ela chegou ao bunker tão nova que quase não guarda lembranças do passado, e é como se a vida dela começasse ali dentro. Tudo o que sabe, aprendeu com as outras mulheres.

O que torna o livro tão perturbador é a virada que acontece logo no início. Um dia, uma sirene toca, as portas se abrem e os guardas fogem. De repente, elas estão livres. Mas livres para quê? O que existe lá fora? Ainda há gente no mundo? Como as coisas estão? A narradora não sabe nem o que é a água, não tem noção de saúde, de doenças, de nada. A partir daí, ela acaba assumindo a organização do grupo na saída do bunker, e a narrativa se transforma em uma longa travessia.

Quem espera respostas sobre o motivo da prisão pode se frustrar. O livro não se preocupa em explicar; ele se dedica à vivência dessas mulheres e, principalmente, ao que a protagonista vai descobrindo pelo caminho. É uma leitura chocante e, em vários momentos, bastante triste.

Ainda assim, fiquei completamente vidrada. Eu precisava chegar ao fim, precisava saber como tudo terminaria. E já adianto: não gostei do final. Mesmo assim, recomendo muito a leitura. É daqueles livros que fazem você fechar a última página se perguntando como algo assim é possível, e que continuam ecoando na cabeça por muito tempo depois.

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